sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
A QUESTÃO DO MAL
por José Nivaldo Cordeiro
Passei as últimas semanas lendo o livro FAUSTO, de Goethe, e vasta literatura em torno do tema. Essas leituras são destinadas a fundamentar o curso que vou dar sobre o livro neste semestre. Não é uma obra simples, porque está carregada de simbolismos cujo sentido deixou de ser percepção corrente há muito tempo, provavelmente desde que foi escrito. É, por esse aspecto, uma obra muito difícil para os leitores de hoje. No centro do poema está a questão do Mal, da sua personificação. A sociedade laica e atéia que se tornou majoritária em nosso meio sequer dá-se conta da dimensão prática dessa discussão, que só teve algum interesse no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial e, ainda assim, sob a perspectiva atéia. Um exemplo conspícuo é a obra de Hanna Arendt, tentando entender o que se abateu sobre a Europa e, em especial, sobre o povo judeu. Creio que ela fracassou por tentar responder à questão escapando ao desafio teológico colocado pelos eventos.
[Hanna Arendt deu grande impulso à linha teórica que reforça a tese dos direitos humanos como fundamento da filosofia política e jurídica enquanto instrumento para combater o totalitarismo, sem perceber que esta tese já havia sido empolgada pelos cultuadores do mesmo totalitarismo então vencido. Vemos agora no Brasil o exemplo de como essa linha teórica desaguou na justificação da dissolução dos valores ocidentais, fundamentando todas as mazelas que precederam a eclosão do totalitarismo. Como herdeira dos valores iluministas e ateus, Arendt deixou-se cair na armadilha e certamente ficaria espantada sobre o que se fala em seu nome para justificar as novas gerações de "direitos", que na prática levam ao oposto de uma sociedade juridicamente organizada de forma sã, abrindo o flanco para que novos totalitarismos emerjam.]
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Texto completo em:
http://bootlead.blogspot.com/
ÁSIA DISPARA EM TECNOLOGIA! AMÉRICA LATINA CADA VEZ MAIS ATRÁS!
Trechos da coluna de Andrés Oppenheimer -Miami Herald- La Nacion (04).
1. Xangai, número 1 em teste escolar mundial. Pela primeira vez uma cidade chinesa conseguiu o primeiro lugar no mais reconhecido exame padronizado mundial para estudantes de 15 anos, o teste Pisa, administrado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No teste de compreensão de leitura, a Coreia do Sul ocupou o 2º lugar, Estados Unidos 17º; Chile 44º, Uruguai 47º, México 48º, Brasil 53º, Argentina 58º e Peru 63º. Em matemática, Cingapura ficou em segundo lugar, os Estados Unidos em 31º, Uruguai 48º, Chile 49º, México 51º e Argentina em 55º.
2. Numa economia global baseada em conhecimento, o teste PISA é considerado peça chave para determinar quais países estão mais avançados na criação de cientistas e tecnólogos que poderão desenvolver produtos cada vez mais sofisticados. Apesar do teste Pisa ter avaliado apenas “uma” China, a elevada pontuação dos jovens de Xangai parece confirmar a ideia de que a China está formando novas gerações altamente qualificadas que poderiam desafiar a supremacia científica do Ocidente.
3. A Coreia do Sul alcançou um recorde de patentes. Embora os Estados Unidos continuem sendo o maior produtor mundial de invenções, os países asiáticos estão ganhando terreno e os latino-americanos estão ficando para trás. A Coreia do Sul dobrou suas patentes registradas internacionalmente na última década e chegou a 8.800 em 2010, segundo o Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos. Em contrapartida, o número de patentes dos EUA sofreu uma queda na última década, chegando a 83.400 no ano passado. Em comparação, o Brasil registrou apenas 103 patentes em 2010, o México- 60, a Argentina- 45, e o Chile- 21, segundo dados do escritório norte americano.
Transcrito do Ex-Blog do César Maia de 7 de janeiro.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
TRANSPOSIÇÃO DAS AGUAS DO RIO S. FRANCISCO
Uma informação surpreendente de Manoel Bomfim Ribeiro para reflexão dos que, eventualmente, podem contribuir com críticas e considerações.
Ao escritor Antonio Risério
Permita-me comentar o seu artigo SOBRE O VELHO CHICO publicado no jornal A TARDE de sábado, dia 27 deste.
Você está certíssimo sobre o nome “ Rio de São Francisco,” título que encima o livro histórico de Geraldo Rocha, obra prima sobre o grande rio.
Sobre a barragem do Sobradinho e Xingó e o aproveitamento energético de Paulo Afonso estamos acordes.
Nosso comentário prende-se a mega Transposição de águas do rio para o Semi-Árido brasileiro. Entendi, no seu artigo, que as reações do momento transformar-se-ão em apoio futuro quando executada a obra, como fora o comportamento dos ribeirinhos com a transferência das cidades.
A construção das obras da transposição oferece aspectos diferentes, senão vejamos: no ano de 1820 D. João VI teve a idéia de abrir um canal do rio São Francisco para o rio Jaguaribe, isto porque a rede potamográfica do Nordeste, apesar de bem distribuída, era e é intermitente, ficando os leitos dessecados logo após as chuvas do período, devido à evaporação descomunal que se abate sobre o Nordeste. Chega a 3.000 mm/ano, ou seja, uma coluna líquida de 3 metros de água sobe pelos ares anualmente.
O nordestino, com sua inventiva, tangido pela necessidade de sobrevivência, construiu pequenos barramentos, bastante primitivos, mas que retinham a água por um tempo maior. A idéia foi sendo imitada, todo mundo fazia as suas pequenas aguadas. A coisa evoluiu, as técnicas foram avançando e o baronato rural começou a executar açudes de médio porte que já suportavam as travessias dos períodos estivais.
Os engenheiros nordestinos se aprimoraram em projetos ousados e, no século XX, se tornaram os melhores hidrólogos do mundo nas técnicas da construção de açudes. Houve uma grande nucleação na construção destas obras e chegamos, ao alvorecer do século XXI, com mais de 70.000 mil açudes nos quatro estados Ceará. Rio G. do Norte, Paraíba e Pernambuco armazenando 40 bilhões de metros cúbicos de água, volume equivalente a 16 vezes a baia da Guanabara.
Existem cerca de 20.000 açudes de construção primorosa, são reservatórios que não secam jamais, com 20, 30, 40, ou mais metros de profundidade, suportando as grandes secas que ocorrem.
Temos, assim, a maior rede de açudes do planeta Terra em regiões áridas e semi-áridas do mundo, mas a idéia da Transposição ficou implantada na cabeça de grupos, sobretudo de alguns políticos.
Saiba, portanto, prezado Rizério, que o Semi-Árido brasileiro armazena água muito além das suas necessidades.
O subsolo do Nordeste dispõe, também, de 135 bilhões de m³ de água acumulados, podendo ser extraídos cerca de 27 bilhões por ano sem baixar os seus aqüíferos.
A Transposição, obra ciclópica que vai engolir mais de 16 bilhões de reais, se um dia for concluída, vai transportar inicialmente 26 m³/s, ou seja, 400 milhões de m³/ano, volume igual a um açude médio dos milhares que existem na região. No pico, pode transportar até 127 m³/s ou seja 2 bilhões por ano, volume igual à evaporação de um só açude, o Castanhão, que evapora exatamente 2 bilhões dos 6,7 bilhões que armazena. Este é o maior açude do mundo em rios intermitentes que, irá receber água da Transposição. Uma irrisão. Os dois canais (Norte e Leste) vão levar os 2 bilhões de água para 8 açudes que já acumulam 13 bilhões que, por sua vez, evaporam 4 bilhões. Chegam 2 bi onde evaporam 4 bi. Entenda.
Observe, 40 bi não resolveram o problema de água da região, mas 2 bi (5%) vão resolver, diz o Governo.
O que faltam nos nossos açudes é a distribuição através de um robusto sistema de adutoras. Existem apenas 4.000 km de adutoras principais. Necessitamos de 40.000 km para as águas dos nossos açudes viajarem por todos os cantos e recantos do Semi-Árido.
Meu caro, esta é uma análise cartesiana, bem resumida e verdadeira. Venho blaterando, eu e um grupo de técnicos, contra este crime de lesa-pátria que o Governo comete contra a sociedade apática do nosso País.
Existem no Nordeste brasileiro 38 obras do Governo inconclusas e abandonadas. Esta será mais uma, cujos escombros em concreto ficarão expostos e eternizados á flor da terra, atestando a incúria e a irresponsabilidade criminosa de um Governo. Servirá, apenas, como uma análise a ser feita pelos nossos pósteros.
Estamos á sua disposição para uma exposição pessoal , para uma palestra ou o que você quiser sobre este tema.
Atenciosamente
Recebido por e-mail.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
O NÚCLEO DURO DO PODER GLOBALITÁRIO.
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Leia o texto completo em:
http://montenegroviverdenovo.blogspot.com/
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE NO BRASIL!
Coluna de sábado (25), de Cesar Maia, na Folha de SP.
1. Em 2010, cumpriram-se os 250 anos do nascimento da primeira mulher presidente no Brasil, Bárbara de Alencar. Ela nasceu em Exu (PE), em 1760. Mudou-se para o Crato (CE) depois do casamento, em 1782, com José Gonçalves dos Santos, comerciante de tecidos naquela vila, com quem teve quatro filhos. Foi a primeira mulher a se envolver, para valer, em política no Brasil -durante a revolução pernambucana de 1817, com vistas à independência e à República. O Ceará e outras províncias limítrofes aderiram -no Ceará, especialmente na região do Cariri.
2. Bárbara de Alencar liderou esse movimento no Crato, ampliando a revolução em Pernambuco. Ela declara a independência e proclama a República do Crato, assumindo a presidência. Com a derrota em Pernambuco, a rebeldia nas demais províncias foi sendo desmontada pelas forças do Conde dos Arcos, governador da Bahia, a mando de dom João 6º. Bárbara foi presa em Fortaleza. Por quatro anos, foi mantida presa em Fortaleza, Recife e Salvador. Ganha a liberdade no ato de anistia geral de novembro de 1821. Teve quatro filhos, três homens.
3. Em 1824, outra revolução em Pernambuco: a Confederação do Equador, liderada por Frei Caneca. No âmbito desse movimento, no Ceará, Crato, Icó e Quixeramobim aderiram. Seus três filhos homens se envolveram. Em 26 de agosto de 1824, foi declarada a República do Ceará e designado presidente Tristão de Alencar, um dos filhos de Bárbara. A repressão das forças imperiais culminou com a morte de dois de seus filhos: Tristão e Carlos. José Martiniano de Alencar sobreviveu e, mais tarde, terminou se credenciando como deputado às cortes constitucionais de Lisboa.
4. Foi governador do Ceará e senador. Seu filho José de Alencar foi escritor, poeta e fundador do indianismo com seu "O Guarani". A força da memória de Bárbara de Alencar ressurgiu em 1869, na escolha de senador em uma lista tríplice. Os conselheiros de dom Pedro 2º sugeriram o veto a José de Alencar, apesar de ele ter sido ministro da Justiça pouco tempo antes. O temor era que as ideias republicanas que começavam a ser reativadas pudessem coincidir com o DNA de José de Alencar.
5. Neste ano de 2010, em que o Brasil registra e comemora a assunção de uma mulher ao cargo de presidente da República, faltaram as comemorações em memória de Bárbara de Alencar, primeira mulher política brasileira, primeira presidente de República, do Crato, e mãe de outro presidente de República, do Ceará. E, quem sabe, ancestral de outro cearense Alencar presidente: Humberto. A conferir.
A DESCENDÊNCIA DE BÁRBARA DE ALENCAR!
Nota encaminhada a este Ex-Blog por Virgilio Arraes.
Li há pouco seu interessante registro sobre a pouca conhecida no ‘Sul’ dona Bárbara – como é familiarmente chamada no Ceará – e, em decorrência do último parágrafo, tomo a liberdade de registrar que Castelo Branco descendia de uma irmã dela, Inácia. As duas, apesar de alguns anos de diferença de idade, eram muito próximas politicamente – sinceras republicanas, influenciadas tardiamente na família pelo espírito da França de 1789. Em 1824, a influência já seria dos Estados Unidos e, em menor escala, da então Grã-Colômbia (federalismo relativo e abolição gradativa da escravidão). De Inácia, descendem, entre outros, Miguel Arraes de Alencar, Marcelo Nunes de Alencar e provavelmente Otto de Alencar. No RJ, Chico de Alencar é possivelmente descendente dela também. Por curiosidade, Raquel (de Alencar) Queiroz, Heloneida Studart e Paulo Coelho têm Bárbara como ascendente.
E até no Paraná. Lá, mais dois se destacaram: (José) de Alencar Furtado, cearense de Araripe como Miguel Arraes, é descendente de Inácia, ao passo que Alencar Guimarães, senador por longo período, de Bárbara, através de uma filha do Senador Martiniano. Por coincidência, tanto ele como o avô paterno assumiram de modo interino o governo do Paraná.
Transcrito do Ex-Blog do César Maia de 27 de dezembro.
domingo, 26 de dezembro de 2010
LIBERDADE DE PENSAR E TER
PASSADO
Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro
O fascinante na vida dos que se dedicam à vida pública e seu entorno, como a literatura, o jornalismo, a filosofia e até mesmo a militância religiosa, é que o pensamento humano está em permanente mutação. E isso em função de novas informações, alterações nos rumos da história, fatores como o tempo e o amadurecimento para alterar comportamentos, sem ferir a essência do idealismo.
Não se deve condenar quem passa uma vida na coerência de suas convicções. E muito menos aqueles que modificam a maneira de pensar e agir em função de novas informações e realidade diferentes.
Assim sendo, essa história de se mexer em arquivos com objetivos políticos é um ato menor e até mesmo covarde. Além de antidemocrático, pois pretende constranger cidadãos de responsabilidade por mudança de rumo em sua linha de pensamento e ação. A mais, em cada idade e em cada época, o quadro tem uma forma e a conjuntura é diversa.
Logo, se os crimes de morte prescrevem, em todo o mundo e em todas as épocas, porque não tornar esquecido em termos de cobrança o comportamento deste ou daquele em determinado tempo. A história está cheia de exemplos de erros coletivos, especialmente na vida política. Jânio Quadros foi eleito presidente da República com uma avalanche de votos e renunciou, decepcionando seu eleitorado. Mas voltou prefeito, 25 anos depois, e parece que não decepcionou. Getulio Vargas, em nível nacional, e Adhemar de Barros, no regional paulista, sofreram forte oposição, deixaram o poder e depois voltaram nos braços do povo.
A presidente Dilma tem passado, história. Não é necessariamente a mesma nem deve ser julgada ou avaliada pelos impulsos da mocidade. Espera-se que, daqueles tempos, tenha mantido o amor ao país, o desejo de servir a uma causa que considera justa. Mas estamos no século XXI, em outro momento histórico. O que nos interessa é o que ela pensa e faz hoje; não no passado. Assim como muitos outros. A anistia não é apenas um ato legal. É mais do que isso; é uma postura liberal diante da vida e do mundo. Manipular o passado, os parentes, os erros dos políticos praticados na mocidade é um ato menor. A sociedade não deve dar guarida a este tipo de especulação. Não é para esconder, mas não é para explorar. Nem contra nem a favor. O que passou, passou.
Vale apenas lembrar a divisa de um movimento político de inspiração lacerdista (de Carlos Lacerda) denominado Clube da Lanterna: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Ou seja, sugestiva e sempre atual.Transcrito da página do escritor e jornalista Aristóteles Drummond:
http://www.aristotelesdrummond.com.br/