segunda-feira, 30 de abril de 2012



Sucateamento das Forças Armadas é denunciado na Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra 

 

Carlos Newton

Incisivo, verdadeiro e emocionante – assim pode ser resumido o extraordinário discurso do jurista Waldemar Zveiter, quinta-feira, em reunião da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), em que fez importantes denúncia, especialmente no tocante ao sucateamento das Forças Armadas.
O primeiro pronunciamento foi do presidente da ADESG, Pedro Luiz Berwanger, que falou sobre a importância da ação da Maçonaria brasileira em defesa da soberania sobre a Amazônia, hoje ameaçada pela Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos das Nações Indígenas. Berwanger alertou que esse Tratado da ONU, assinado pelo governo brasileiro em 2007,  determina a independência política, administrativa e social das 206 etnias indígenas existentes no país, cujas reservas podem se transformar em países autônomos, se o Brasil realmente seguir os termos do acordo internacional.
Falando em seguida, Waldemar Zveiter, que é Grã-Mestre da Maçonaria no Rio, atacou duramente o governo federal, mas sempre se referindo ao “presidente Lula”, sem mencionar em momento algum sua sucessora Dilma Rousseff, como se Lula ainda estivesse no poder, o que não deixa de ser verdade. O jurista começou criticando o governo federal por ter enviado em 2005 ao Congresso o projeto 4.779/05, que permitiria a alienação de parte da Amazônia a empresas privados. A proposta foi encaminhada em regime de “urgência constitucional”, que dava à Câmara e ao Senado apenas 45 dias cada um para debater e aprovar a inovação.
Zveiter disse que naquela ocasião escreveu e publicou o livro “A Maçonaria pela Integridade da Amazônia em defesa da Soberania do Brasil”, que foi distribuído a todos os parlamentares e contribuiu para a rejeição do projeto de Lula.
Em seguida, o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça retomou a linha do discurso de Berwanger e chamou atenção para as ameaças à soberania brasileira na Amazônia. Lamentou então o progressivo sucateamento das Forças Armadas e os baixos salários dos militares, dizendo que hoje a remuneração de um general de cinco estrelas é inferior ao vencimento de um juiz iniciante, fato que considera injusto e até inconcebível.
Passou a analisar a situação dos equipamentos de cada uma das Armas, mostrando que Exército, Marinha e Aeronáutica não têm a menor condição de defender os interesses e a soberania do país.  “A maior parte dos equipamentos está obsoleta. A Marinha só tem um porta-aviões, comprado de terceira mão, que nem sai ao mar”, lembrou, assinalando que os outros navios da Armada foram fabricados na época da Segunda Guerra Mundial.
Foi um discurso longo, que a plateia ouviu em impressionante silêncio, no salão do Clube da Aeronáutica. Sempre de improviso, Zveiter mostrou ser um experimentado orador e foi emendando uma denúncia à outra. Citou também a situação crítica do Exército, especialmente nas áreas de fronteira, sem condições de defender os interesses nacionais na Amazônia.
Depois demorou-se a apontar o sucateamento da Aeronáutica, que tem cada vez menos aeronaves em condições de voar. Indagou então pelos novos caças, que ninguém sabe quando realmente serão comprados, e perguntou até quando os Mirage poderão continuar em serviço. “E quantos Mirage existem. Oito, cinco?” – ironizou
Ao final, criticou também a discussão do Código Florestal no Congresso sem que tivessem sido ouvidas as Forças Armadas nas questões relativas à Amazônia. Disse que isso mostra que os governantes brasileiros, além da permitirem a progressiva obsolescência dos equipamentos, também desprezam a valiosa opinião dos militares.
Ao encerrar o pronunciamento, Zveiter foi ovacionado, com todos os participantes da sessão se levantando para aplaudi-lo demoradamente.
Se algum parlamentar subisse à tribuna do Congresso para fazer um discurso nesses termos, certamente também seria ovacionado, mas cadê coragem?

Transcrito do Blog "Tribuna da Internet".

 http://www.tribunadaimprensa.com.br/?paged=2





NAS MÃOS DOS MINISTROS-CONSTITUINTES

Percival Puggina


          Assisti a boa parte das sessões em que o STF deliberou sobre a adoção de quotas raciais para ingresso nas universidades públicas. Praticamente todos os votos foram ornados com líricas declarações de amor à justiça pela igualdade. Estavam dispostos a servi-la às mancheias. O ministro Fux, por exemplo, não falava. As palavras lhe gotejavam como favos de mel enquanto o versejador Ayres Britto ralava os cotovelos na quina da mesa. Joaquim Barbosa cedeu a cadeira a Castro Alves e quedou-se em pé, atrás, feliz por "estar ali, nest'hora, sentindo deste painel a majestade". 

          A ministra Rosa Maria, tecendo frases como quem bordasse sobre tela, assentou "que a ação tinha de ser julgada à luz da Constituição, que consagra o repúdio ao racismo e o direito universal à educação". Foi um alívio, àquelas alturas, ficar sabendo que a ação seria julgada à luz da Constituição porque eu já desconfiava de que os votos estavam sendo iluminados pelos estatutos de algum movimento racial. Contudo, ficaram a quilômetros das ponderações da ministra as inevitáveis decorrências do voto que deu: doravante incorrerá em racismo e afrontará o direito universal à Educação toda universidade, pública ou privada, toda feira do livro, todo prêmio literário, que não prover as tais cotas. Marco Aurélio, por pouco, muito pouco, não disse que a  adoção de quotas raciais se justifica porque o Estado é laico.

          Levandowski, o ministro-relator, foi saudado como a princesa Isabel da sessão. Só não lhe deram tapete vermelho e damas de companhia porque não ficaria bem. Mas sua imensa contribuição para a justiça racial no Brasil o fará ombrear, na história, com a filha de D. Pedro II. Ao lado da Lei Áurea, haverá de estar, para sempre, o Voto Diamantino que relatou à corte. O ministro, contudo, tinha um problema. Havia um preceito, na Constituição, segundo o qual ninguém pode ser discriminado por motivos de cor, etc.. E era demasiado óbvio que o regime de cotas raciais feria essa prescrição ao criar exceções ao mérito como critério seletivo. A arguição de inconstitucionalidade do regime de cotas alegava que os positivamente discriminados ingressam na universidade com nota inferior à obtida por aqueles que, negativamente discriminados, ficam de fora apesar de haverem obtido nota superior. Como saiu-se dessa encrenca o ministro? A possibilidade da discriminação positiva não poderia ser permanente, disse ele. Não poderia ser uma porta aberta para a eternidade. Precisaria valer apenas enquanto necessária. Só por uns tempos. Caso contrário, ocorreria a inconstitucionalidade. Capice? Enxuguemos pois as consequências, provisoriamente, através dos séculos, enquanto permanece aberta, a montante, lá no bê-á-bá do sistema público de ensino, a torneira das causas. Mas quem se importa?

          De jeitinho em jeitinho, vai-se a Constituição para o brejo, a segurança jurídica para o espaço e o Poder Legislativo para o outro lado da praça. Se o Congresso se omite em legislar, andam dizendo os ministros-constituintes, o STF precisa agir subsidiariamente. Esquecem-se de um dado da dinâmica parlamentar: quando o Congresso não delibera é porque não há entendimento sobre a matéria. E isso é absolutamente normal, significando que o parlamento, provisoriamente, decidiu não decidir. Aliás, a ideia de que o Estado precisa emitir leis sobre tudo e sobre todos é irmã do totalitarismo. Quando, nas normas que conduzem qualquer organização humana - do estatuto do clube à constituição nacional - se pretende criar exceções ou regulamentar detalhes, produz-se uma balbúrdia com efeito contrário ao pretendido. Em vez de esclarecer, confunde-se cada vez mais. Por favor! Menos leis, mais liberdade.

 
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* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões


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segunda-feira, 23 de abril de 2012


Instituto Espírita Batuíra de Saúde Mental pede ajuda
Goiânia, GO


 Saudações, muita paz, luz e saúde!

 Peço novamente a sua ajuda para divulgar a nota abaixo. Tem ajudado
 muito a sua solidariedade e várias pessoas tem contribuído.

 Antecipo agradecimentos.

 Fraternal abraço,

 Sérgio Luís Haas
 3281 0655

 *-*-*-*-*-*-*-*-*-*

 SOS Batuíra: frutas, shampoo, desodorante spray, absorvente íntimo e
 toalhas de banho

 O Instituto Espírita Batuíra de Saúde Mental está solicitando a sua
 colaboração, de entidades e de empresários para receber doações de
 frutas, shampoo, desodorante spray, absorvente íntimo e toalhas de banho
 para os mais de 60 pacientes em tratamento que sofrem de transtorno
 mental ou alcoolismo.

 Qualquer quantidade é muito bem vinda. As doações podem ser entregues
 diretamente no Batuíra: Avenida Eurico Viana, Quadra 44 - Setor Jardim
 Goiás - Goiânia - GO

 Fundado em 1949, o Batuíra é um hospital 100% SUS e atende
 gratuitamente homens e mulheres que sofrem de transtorno mental ou
 alcoolismo.

 Informações: fone (62) 3281 0655, site: www.batuira.org.br e twitter:
 @batuirago

(Informações recebidas em email de batuira@batuira.org.br)


Recebido por e-mail. 







AMÉRICA LATINA: A CRISE POLÍTICA SE APROFUNDA



       
1. O ciclo econômico na América Latina nos últimos anos tem sido positivo. Uma oportunidade que está sendo perdida e atropelada pela crise política quase generalizada e pela insegurança jurídica crescente. Na Venezuela, a imprevisibilidade é total em função do câncer terminal do presidente Chávez, cujos prazos se encurtam. A semana passada começou com a denúncia de juízes de manipulação dos tribunais e terminou com o assassinato de um general muito próximo a Chávez, sugerindo a "antecipação" da sucessão em seu grupo.
      
2. Na Bolívia, Evo Morales, que era líder do sindicato dos cocaleiros e, que por sua imagem, iludiu os que o pensavam como líder indígena, enfrenta, sistematicamente, há um ano, protesto crescente dos quechuas e aymaras (60% da população) em relação a suas terras. No Equador, Rafael Correa reprime a imprensa e vai tornando seu governo cada vez mais autoritário. Enfrenta as denúncias de seu próprio irmão.
      
3. Na Nicarágua, a eleição que reelegeu Daniel Ortega foi considerada fraudulenta pelos observadores da União Europeia. No Panamá, o presidente e magnata Martinelli, um populista de direita, enfrenta ações por atropelar as leis e desconhecer o judiciário. Na Guatemala, o novo presidente, General (R) Perez Molina, disse que não há como combater o tráfico de drogas e que é melhor liberar o tráfico das 300 toneladas anuais que passam por seu país. Em Honduras, as ocupações de terra crescem, o tráfico de drogas se expande e a oposição avança sobre a debilidade do presidente Pepe Lobo. O presidente Fulnes, de El Salvador, credenciou emissário no presídio de segurança máxima e propôs aos chefes das gangues um acordo para reduzir os homicídios.
      
4. Na Argentina, o vice-presidente é acusado, de forma documentada, de corrupção por tráfico de influência. A presidente Cristina Kirchner desapropriou a Repsol da Espanha e inventou um conflito com o Reino Unido pelas Ilhas Malvinas. Enquanto isso, a economia desaba. No Brasil, após o afastamento de oito ministros por denúncias da imprensa, o Congresso é estilhaçado com grampos de denúncias de corrupção no esquema conhecido como Cachoeira-Delta, abre CPI e promete sangrar na carne. No México, os cartéis de drogas tornam-se operativos armados paralelos e seus sicários matam os que criam problemas.

5. No Paraguai, o senado decidiu destituir 7 ministros da Suprema Corte, apoiados em legislação existente. Os ministros vão recorrer à OEA e o presidente Lugo aguarda o desfecho.
     
6. Restam Uruguai, Colômbia, Chile e Peru. No Peru, o presidente Humala -mesmo enfrentando os problemas familiares- até aqui mostra-se sensato, e seu passado chavista ainda não deu sinais de aflorar. Enfrenta problemas com os indígenas por uma lei populista que fez no início do governo, dando poder de decisão a eles em investimentos em suas regiões, o que tem bloqueado bilhões de investimentos em mineração.
     
7. No Chile, com suas instituições estáveis, a crise é de popularidade do presidente Peneira que enfrenta constantes e massivos protestos dos estudantes. No Uruguai, o presidente Mujica (ex-dirigente Tupamaro) surpreendeu pela moderação. Recentemente despertou preocupação em relação à revisão da lei de anistia e ao apoio a Cristina Kirchner. Apenas a Colômbia de Eduardo Santos é um mar de tranquilidade, com seu presidente firme contra as FARC e de popularidade crescente.
    
8. A recente reunião da Cúpula das Américas na Colômbia mostrou o marasmo político continental. E faltou Cuba, mas nem precisava lembrar a natureza desse regime.





Transcrito do Ex-Blog do César Maia de 23 de abril.






Relacionamentos Duradouros


Em busca de relacionamentos mais duradouros e até permanentes, todos questionam as atitudes necessárias para que isso ocorra, como paciência, diálogo, compreensão e renúncia, mas na realidade não existe uma fórmula para a felicidade de um casal.
As paixões iniciais são passageiras e o que realmente perdurará, a amizade, a cumplicidade e o companheirismo, podem e devem ser criados com o tempo.
Em décadas passadas - e em determinadas culturas ainda agora -, os casamentos eram determinados pelos pais, com os noivos ainda crianças. A submissão feminina da época ou em países com essas culturas é que determinava a longevidade dos casamentos, independentemente se promovendo ou não a felicidade do casal.
Atualmente, na maioria dos países, as pessoas podem passear e caminhar de mãos dadas, assistir a filmes ou peças de teatro, ler livros, frequentar qualquer local ou ambiente e viajar juntas, sem a necessidade sequer de estarem namorando.
Essa convivência certamente poderá aprofundar sua amizade e criar afinidades que as aproximarão cada vez mais, abrindo a possibilidade para um relacionamento com bases muito mais sólidas do que aquele iniciado com uma simples paixão.
Só com a maturidade, quando já não se dá importância para aquelas paixões mais comuns na juventude, de origens físicas e pouco racionais, mas se busca alguém com valores éticos, morais, educação, cultura, interesses e objetivos comuns, se adquire esse entendimento.
Nessa fase, entendemos a importância não só de demonstrar, mas de falar sobre nossos sentimentos, de nos declarar, em particular ou publicamente para a pessoa amada, pouco nos importando o que dirão os que estão próximos.
Já entendemos a importância de interromper a leitura de um jornal para fazer uma declaração elogiando seu par que chega, valorizando sua roupa, sua beleza, o novo corte de cabelo que realçou sua jovialidade, mesmo quando isso não expressa uma realidade cronológica, e possuímos a delicadeza de, voltando do mercado, surpreendê-la por ter adquirido a fruta de sua preferência, ou trazendo-lhe uma flor quando menos espera.
Com atitudes e demonstrações de carinho, afeto, amizade e companheirismo, os laços vão se estreitando, de modo que cada um passe a sentir a ausência do outro e a necessidade de com ele dividir suas ideias, planos, sucessos, dificuldades e frustrações.
A participação de cada um nos mais variados temas da vida de seu par vai tornando o casal mais próximo, íntimo, participativo de detalhes muitas vezes estranhos à própria família do outro. Esse envolvimento cria situações de cumplicidade e amizade raras.
Construído diária e progressivamente sobre raízes sólidas, adubadas constantemente com atitudes pequenas, mas importantes, um relacionamento maduro aumenta à medida que os dois se conhecem, descobrem suas dificuldades, costumes, manias, qualidades e virtudes, surgindo daí o amor verdadeiro, real e duradouro.
Colocando na balança todos estes ingredientes, procurando o equilíbrio, os dois acabarão percebendo que no outro existem muitas qualidades e que o carinho e a cooperação superarão os poucos defeitos de cada um deles. 
O relacionamento duradouro é aquele onde existe o interesse mútuo em sua criação e manutenção, mesmo quando inicialmente os parceiros não se amam.

João Bosco Leal      
             www.joaoboscoleal.com.br

*Jornalista, escritor e produtor rural.

Recebido por e-mail.


sábado, 21 de abril de 2012

CORRUPÇÃO E SISTEMAS ECONÔMICOS.






        CORRUPÇÃO E SISTEMAS ECONÔMICOS


Percival Puggina


Omitirei o nome da publicação e dos autores do artigo que vou criticar. Não me parece sensato divulgar fontes de equívocos. Direi apenas que se trata de uma publicação "católica" e que o artigo abordava o tema da corrupção, definindo a ética do "ganhar sempre mais", que seria própria do capitalismo, como determinante da corrupção.

Tal tese é um disparate sob quaisquer ângulos de observação e os autores devem saber. Mas estão se lixando. O que pretendem é levar os leitores a extrair conclusão errada de premissa falsa: se o capitalismo causa corrupção, então, na vigência de seu antônimo - o socialismo - a sociedade se conduziria por elevadíssimos valores morais. Um verdadeiro paraíso reconstruído. Ora, o desejo de ganhar mais não é uma especificidade da economia de mercado, ou livre, ou de empresa (prefiro designar o sistema econômico com esses nomes que lhe atribuiu João Paulo II). É um anseio da pessoa humana, em todos os tempos e em qualquer sistema. Resumamos o assunto, então, em alguns tópicos.

  • Duvido que os redatores dessa fraude intelectual recusem um aumento de salário, um bom negócio ou uma oportunidade de comprar por menos ou vender por mais.
  • Como consequência de um sistema de economia livre, de empresa, os agentes econômicos dedicam-se com maior empenho ao que fazem, a criatividade aumenta, a produtividade cresce, os custos decrescem. Beneficiam-se produtores e consumidores.
  • Gera-se uma saudável conseqüência ética pois a competência é premiada com resultados positivos e a incompetência punida com prejuízos.
  • Há uma relação histórica, ademais, entre economia de mercado e democracia pois o grande senhor da economia de mercado é ele mesmo, o mercado, formado por milhões e milhões de pessoas, com suas expectativas, anseios, etc..
  • Contudo, estava certo o papa João Paulo II quando, escrevendo sobre o tema, ensinava que se o núcleo da liberdade for apenas econômico – e não ético e religioso (papel das instituições políticas e jurídicas) – ocorrem situações de opressão econômica, formam-se monopólios, cartéis, mecanismos de corrupção, e outras enfermidades sistêmicas. Com efeito, absolutamente livre, o mercado padece dos mesmos males que acometem a liberdade individual na ausência de toda restrição.
     
    • Nas economias planificadas, socialistas, o anseio de “ganhar mais” é tolhido pela centralização estatal. Como conseqüência – e a história o demonstrou com muita clareza – a produtividade diminui, a iniciativa acaba, a economia fica estagnada, a pobreza se multiplica de modo irremediável, o muro cai, os governos tombam, os intelectuais do socialismo se escondem.
    • O fracasso socialista é tão óbvio que Leão XIII o previu três décadas antes de esse sistema ter sido tentado na Rússia. E João Paulo II, tendo vivido sob tal realidade, proclamou-o “falido”.
    • Da mesma forma que existe uma relação direta entre democracia e economia de mercado, existe, também, uma relação direta entre economias planificadas e totalitarismos. E a razão é simples: para coibir aquele desejo natural de “ganhar mais”, torna-se necessário criar uma estrutura estatal opressiva. Quando se concentram no Estado tanto o poder político quanto o econômico, nenhum poder resta à sociedade e à pessoa na sociedade.
    • Ademais, com a queda do Muro, foi possível conhecer o nível de corrupção instalado nas repúblicas socialistas, corrupção que também se espraia pela sociedade como defesa perante a escassez e a miséria geral. Quem quiser conhecer isso de perto, ainda hoje, vá a Cuba (onde fui três vezes), ou à Coréia do Norte (onde não tenho coragem de ir).

    Bastariam estas poucas evidências para desmascarar a malícia do texto a me refiro. Mas há nele um erro ainda muito mais grave: como pode um cristão afirmar que o capitalismo corrompe (e levar o leitor a presumir que o socialismo purifica), como se nele se extinguisse o pecado original?

    Corrupção existe em qualquer sistema político ou econômico, embora alguns a favoreçam mais do que outros. E, nesse caso, o socialismo e os totalitarismos são imbatíveis. Mas em quaisquer regimes ou sistemas existe o pecado, os que a ele se entregam, e os justos que se empenham em serem bons. Se tudo fosse questão de sistema, Cristo teria proposto um, em vez de perder seu tempo propondo-se a si mesmo, ao custo em que o fez.

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    * Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões


    Recebido por e-mail.

       

sexta-feira, 20 de abril de 2012





                      Qual verdade?

 

Gen. Ex. Luiz Gonzaga Schroeder Lessa
O país aguarda com ansiedade a designação, pela presidente Dilma, dos integrantes do que se convencionou chamar de “Comissão da Verdade”.
Quanta presunção ao se adjetivar essa comissão com a palavra “verdade”!
Há milênios, o vocábulo vem desafiando a humanidade, os filósofos e as religiões. Ainda hoje, sem sucesso, busca-se um conceito que responda à pergunta de Pilatos a Cristo (por Ele não respondida):”o que é a Verdade”?
Muito já se falou sobre tal comissão, mas o tema está longe de ser esgotado.
A comissão inspirada no governo Lula, aprovada pelo Congresso Nacional por meio da lei nº 12528/2011 e em vias de ativação pela presidente Dilma, tem a finalidade maior de “efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”.
Alcançará o seu desiderato? Tudo indica que, ao final dos seus trabalhos, vai apresentar uma verdade facciosa, simbólica, parcial que expressa, apenas, a visão do grupo esquerdista-marxista que lutou para que se implantasse no Brasil um regime totalitário nos moldes de Cuba, quiçá, ainda mais violento, e que nunca buscou, como se alardeia, a restauração da democracia .
A “verdade” que surgirá dessa comissão está atrelada, ideologicamente, ao grupo que foi derrotado e que, hoje, é governo, portanto, será simpática e leniente para com ele. Não pode a comissão, por força de lei, ouvir os depoimentos dos integrantes desse grupo, vital para que a memória seja, de fato, resgatada. Desde já, é condenatória e discriminatória com aqueles que serão ouvidos e que se opuseram, tenazmente, aos grupos extremistas que tentaram impor à sociedade brasileira o marxismo-leninismo, seguindo estritamente as diretrizes e ordens dos líderes de então das URSS, China, Cuba e Albânia. .
###COMO DEIXAR DE OUVI-LOS
Somente motivações ideológicas impedem que personalidades expressivas da vida pública brasileira, na atualidade, a começar pela própria presidente Dilma, prestem os seus depoimentos, esclareçam as suas motivações, os apoios internos e externos que receberam, os recursos financeiros que amealharam e o destino a eles dados, assim como as execuções sumárias e os justiçamentos perversos que perpetraram.
Como deixar de ouvi-los? Que memória emergirá dos autos com tanta parcialidade? De antemão, na origem, memória e verdade estarão comprometidas, serão falsas e não resistirão ao juízo da história.
A óbvia conclusão é que teremos uma “verdade” muito próxima da mentira, uma verdade caolha, que não quer ver e interpretar o que ocorreu, e o fato histórico que dela resultar será faccioso, revanchista, contaminado por uma amnésia provocativa e uma opaca memória alzheimeriana, desprovido de conteúdo para integrar a moderna história brasileira.
Os que, na atualidade, posam de democratas queriam ( e ainda tentam) implantar um regime totalitário no país, segundo depoimentos dos seus mais expressivos representantes, como o ex-deputado Fernando Gabeira e o professor universitário Aarão Reis, que chegaram a prever um grande derramamento de sangue caso as suas teses fossem vitoriosas.
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O QUE SE PRECISA SABER

O que o povo brasileiro precisa saber e se convencer é que, se hoje desfruta de amplas liberdades democráticas, essas não foram benesses caídas do céu e, sim, asseguradas pelos regimes militares e a pragmática engenharia política que orquestraram, vencendo a violência sem quartel que vitimou muitos inocentes, o radicalismo e a xenofobia dos mais variados grupos extremistas que, mercê da anistia, veem muitos dos seus integrantes em funções de revelo na política, na mídia, no governo e na sociedade em geral.
O que o povo brasileiro precisa saber é que esses extremistas, dóceis e obedientes, ficaram ao sabor dos ditames de líderes estrangeiros, deles recebendo apoio político, material e financeiro para que o Brasil passasse a integrar as suas órbitas de influência, perdesse a sua autonomia, soberania e até mesmo a sua integridade territorial.
O que o povo brasileiro precisa saber é que muitos dos que , no governo ou fora dele, clamam pela democracia nunca lutaram para que ela imperasse no país; pelo contrário, quiseram, pela violência, sujeitar um povo tradicionalmente cristão a um regime totalitário ateu em que “muitas cabeças e sangue rolariam”.
O que o povo brasileiro precisa, de fato, saber é que não se almeja a paz social, a reconciliação nacional, como enfaticamente se propaga. Nesse contexto elas não são relevantes.O que, efetivamente, se planeja é a divisão da sociedade brasileira para melhor controlá-la e subjugá-la, como são exemplos os contínuos e recorrentes artifícios e tentativas dos governantes e das lideranças petistas na busca da limitação e da reinterpretação, muitas vezes contra os ditames constitucionais,dos instrumentos que asseguram o exercício de liberdades duramente conquistadas.
As evidências parecem indicar que a chamada “Comissão da Verdade” encaminha-se, como já foi definida, para uma comissão de acerto de contas, revanchista, avessa ao estabelecido na Lei da Anistia, com a intenção declarada de forçar a sua reinterpretação pelo Supremo. Os fatos que porventura dela emanarem serão passíveis de contestação, quando a verdade histórica, longe dos arroubos, dos revanchismos e dos ódios do presente, prevalecer.
Transcrito do Blog "Tribuna da Internet":
                               http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=36081