domingo, 6 de janeiro de 2013



A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA


*Percival Puggina


Recentemente tive oportunidade de reapresentar meu velho repto. Estávamos num programa de debates. Meus dois interlocutores eram materialistas. Não apenas materialistas. Adversários militantes do Cristianismo em geral e da Igreja Católica em particular. Embora o tema do programa não fosse esse, a conversa acabou enveredando por aí. Lá pelas tantas, surgiu-me a oportunidade. Falaram em dignidade da pessoa humana. Perguntei, então, a ambos, lançando a questão como desafio: qual o fundamento da dignidade da pessoa humana?

É uma questão que coloca o materialismo e seus adeptos num beco sem saída. Para respondê-la, o microfone correu a mesa. Falaram, falaram e nem de longe trataram do tema. Quando retornou a mim, chamei a atenção para o fato de que não haviam me dado qualquer resposta. Mencionada por materialistas, a dignidade da pessoa humana é mera retórica.

Ante a provocação que fiz, um deles saiu-se com esta: "O fundamento da dignidade da pessoa humana é a reciprocidade nas relações". Ora, salta aos olhos que a reciprocidade, vale dizer, a equidade nas relações e trocas interpessoais e sociais, pode ser, em alguns casos, fundamento da justiça, mas nem de longe serve como alicerce para a dignidade do ser humano. Em determinadas situações talvez seja consequência e, como tal, não pode ser fundamento. Todos aqueles que, do nascimento à morte, vivem de modo vegetativo, têm, como pessoas, dignidade igual à da mais eminente celebridade e à da mais justa e generosa das criaturas. E em nada podem, os desvalidos em si mesmos, contribuir para a tal reciprocidade. Ademais, exigir reciprocidade pode ser, em certos casos, puro egoísmo. Por vezes, contudo, a reciprocidade (como critério de justiça), se fundamenta, sim, na dignidade da pessoa humana. E aquilo que nela se fundamenta não lhe pode servir, também, como fundamento.

Enfim, a questão que propus é irrespondível pelo materialismo. Se tudo é matéria, instinto e razão, o ser humano é apenas o mais complexo dos animais. E somente isso. Resulta, assim, meramente retórica toda menção que façam à dignidade humana. A prova provada me veio logo após, quando, tendo eu comentado a animalização conceitual da pessoa, quando vista apenas como ser material, meu intelocutor da ocasião afirmou que "os animais também têm dignidade". É ou não é uma rendição? Homem e bicho é tudo a mesma coisa? Animais merecem respeito, mas a eminente dignidade, fundamento das melhores constituições, que a tem é o ser humano.

Há muitos anos proponho essa questão em debates e ainda não encontrei um materialista que fizesse a respeito dela qualquer afirmação consistente. Falam sobre direitos humanos como parte de uma agenda muito mais ideológica do que efetivamente humana. O humanismo sem Deus é um humanismo desumano, reafirmou recentemente Bento XVI na encíclica Caritas in Veritate. Com efeito, somente o revelado à tradição judaico-cristã satisfaz como resposta à questão contida no primeiro parágrafo deste artigo. É por isso que nela se fundamenta toda uma civilização e o que há de melhor em sua cultura: o homem é imagem e semelhança de Deus, e objeto de Seu amor.

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* Percival Puggina (68) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013



PREFEITURA DO RIO INICIA O PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO DA COMLURB! ATENÇÃO GARIS!

      
1. (G1/Globo, 03) Comlurb, empresa de limpeza urbana da prefeitura do Rio, passa a ter novo presidente: o economista Carlos Vinícius de Sá Roriz que veio da Ambev e do grupo Eike Batista.
      
2.1. (Ex-Blog) Como este Ex-Blog havia antecipado, meses atrás, o prefeito do Rio decidiu privatizar a Comlurb. Um primeiro teste foi feito na área portuária/centro. Mas com as eleições, tudo ficou aguardando na gaveta. Agora retoma o processo com a nomeação de um executivo de grandes empresas do setor privado.
      
2.2. O processo começaria com a terceirização progressiva em bairros do Rio até a Comlurb se transformar numa agência fiscalizadora da limpeza urbana. O custo da Comlurb dobrou nestes 4 anos, passando de 600 milhões de reais a 1,2 bilhão de reais. A projeção, com esta privatização, é que em dois anos chegue a mais de 1,7 bilhão de reais, o que abriu o apetite do setor privado, comensais da prefeitura do Rio desde 2009.


Transcrito do Ex-Blog do César Maia de 4 de janeiro.

A maioria das pessoas não quer realmente a liberdade, pois liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo de responsabilidade. (Sigmund Freud)

Mais frases de Sigmund Freud em kdfrases.com

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013




O SENADO, DE MAL A PIOR

*Percival Puggina


Costumo falar com meus botões. Eles estão sempre disponíveis e são muito bons ouvintes. Sobretudo os de quatro furos. Os de dois furos são mais desatentos e só resolvem dar sinais de sua existência quando estão pendurados por um fio. Pois bem, quando soube que Renan Calheiros aprumava-se para disputar a presidência do Senado Federal, com amplo apoio da base governista, eu falei aos meus botões: "Este país não tem mais jeito. Entramos em downgrade moral".

Talvez o leitor destas linhas não lembre quem é Renan Calheiros, mas os membros da Casa conhecem sua biografia. Renan foi o escândalo nacional de 2007 a partir de uma denúncia da revista Veja, em maio daquele ano. Renan tivera uma filha com a jornalista Mônica Veloso e uma empreiteira pagava a ela vultosa pensão mensal. A partir daí, iniciou-se o que ficou conhecido como Renangate. Durante meses, sucederam-se apurações e investigações envolvendo os negócios do então presidente do Senado Federal. As denúncias incluíam o uso de "laranjas" para dissimular a compra de veículos de comunicação em Alagoas, a venda fictícia de quase duas mil cabeças de gado para empresas frias, com notas fiscais geladas, num período em que Alagoas estava com as fronteiras fechadas para o transporte de gado em virtude de um surto de aftosa, e por aí afora. De maio a setembro de 2007, Renan foi o assunto preferido das manchetes. A 12 de setembro, em sessão secreta, o Senado votou proposta para a decretar a perda de seu mandato. Todos os senadores compareceram à sessão. Renan safou-se por uma diferença de seis votos.

Seu inferno astral, contudo, prosseguiu. À medida que avançavam as investigações da imprensa e se desnudavam as artimanhas usadas para justificar o injustificável, aumentou a pressão da opinião pública. Quanto mais Renan explicava, mais se enrolava. Sua permanência no comando da mesa dos trabalhos constrangia e afrontava o decoro de todos os membros do poder (alguns, ao menos, diziam isso). Por fim, ele se licenciou da presidência por 45 dias e, logo após, renunciou ao posto, mantendo o mandato. Cinco anos atrás, leitores amigos, imaginar Renan Calheiros voltando a presidir o Senado com o voto de seus colegas seria algo impensável. E se eventualmente fosse pensado, como produto de algum delírio, seria uma ideia impronunciável.

Em 2010, com esse destacado currículo, Renan conservou a cadeira, sendo reeleito como representante de Alagoas, perfilando-se na base do governo ao lado do intrépido Fernando Collor (nascido no Rio de Janeiro, mas senador por Alagoas). A ousadia da máfia que maneja os cordéis da República não encontra limites. Não se trata, aqui, de saber se, quando, nem como, as muitas e consistentes denúncias que envolviam a figura do senador acabaram num picador de papéis em diferentes órgãos de investigação e controle do país. Trata-se de entender que só pode haver um motivo para essa absolvição pelo silêncio, sob o manto protetor do tempo. E esse motivo é o mesmo que agora pretende guindá-lo ao posto mais alto da nossa Câmara Alta: comprometimento com um tenebroso projeto de poder que cravou as unhas no lombo de uma nação que aceita ser jumento de carga dos bandoleiros da política que nela se instalaram.

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* Percival Puggina (68) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

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DEUS, SUA INFINITA BONDADE E NOSSA SEDE INSACIÁVEL DE FELICIDADE

*José Reis Chaves
 
Se Deus nos criou com uma sede insaciável de felicidade, é porque o nosso destino, a trancos e barrancos, deve ser mesmo de salvação, a qual, porém, deverá ser num futuro distante, com a evolução do espírito através das reencarnações.
Os líderes religiosos não espíritas detestam a reencarnação, porque eles pregam a nossa salvação ou libertação, mas com a condição de termos que passar por eles, quando essa doutrina nos mostra que a salvação é conseguida por nós mesmos pela nossa evolução espiritual e moral. Quando eles ensinam a verdade, até que eles podem orientar as pessoas para se salvarem. Mas a profissão deles é realmente prejudicada pelo fenômeno da reencarnação.
A nossa evolução moral e espiritual é real, pois até Jesus evoluiu. “Tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos que lhe obedecem.” (Hebreus 5: 9). “Até que todos nós cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.” (Efésios 4: 13). Temos realmente que reencarnar muitas vezes, até chegarmos à estatura moral do nível de aperfeiçoamento de Jesus Cristo. “Diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus.” Isso vai acontecer no futuro com a evolução dos espíritos humanos. “Somos transformados de glória em glória.” (2 Coríntios 3:3). “Mesmo que nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia.” (2 Coríntios 4: 16). E Jesus fala também na regeneração no futuro. (Mateus 19: 28).
Os teólogos apegam-se muito ao lado material do homem, que veio do pó e ao pó retornará (Eclesiastes 12: 7), deixando em segundo plano o homem espiritual, interior e imortal. E, assim, pregam a ressurreição do espírito, mas para eles, ela tem que ser junto com o corpo, quando a Bíblia diz que a ressurreição é só do espírito. (1 Coríntios 15: 44). “Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus.” (1 Coríntios 15: 50). “Os ressuscitados são como os anjos.” (Mateus 22: 30). Anjos são espíritos humanos de alto nivel de evolução e significam enviados de Deus ou do mundo espiritual para nós, justamente porque são muito evoluídos. Todos os corpos vêm do pó e para o pó retornam. E a Bíblia não diz que, depois que eles voltam para o pó, eles retornam à vida, pois voltam ao seu pó em definitivo. “Tu és pó e ao pó retornarás.” (Gênesis 3: 19). Esse é o destino do homem exterior.
Para os teólogos católicos, enquanto estamos aqui na Terra, nós podemos nos salvar por nós mesmos e por Deus. Morrendo o corpo e indo a alma para o Purgatório, só Deus nos pode ajudar a sairmos de lá. Daí a importância das preces para as almas. Isso é uma exaltação da matéria, da carne, pois só enquanto temos corpo, poderíamos fazer algo para a nossa libertação. No entanto, Jesus disse: “O espírito é o que vivifica; carne e sangue para nada aproveita.” (João 6: 63).
Se Deus nos deu capacidade e liberdade para pecarmos; se Deus não é prejudicado com os pecados; se é o espírito que ressuscita; se Deus nos ama com amor infinito; se a misericórdia divina não termina jamais, pois é também infinita; se a nossa evolução espiritual é uma realidade pelas reencarnações; se temos sempre uma sede insaciável de uma felicidade perene e para sempre; se Deus não quer que nenhum de nós se perca (Mateus 18: 14), não vão ser suficientemente tão poderosos os teólogos e os “diabos” para porem em dúvida a nossa salvação!
 
Na Rede Mundo Maior, parabólica digital, a cabo e internet, “Presença Espírita na Bíblia” com este colunista, às 20h das quintas-feiras, com reprise às 23h dos domingos. www.redemundomaior.com.br Para seu comentário: penb@redemundomaior.com.br, às 20h das quintas-feiras, com reprise às 23h dos domingos.

Aos domingos, na Rede TV, às 16h15, o programa espírita Transição.

*Obs.: Esta coluna, de José Reis Chaves, às segundas-feiras, no diário de Belo Horizonte, O TEMPO,  pode ser lida também no site www.otempo.com.br   Clicar o item “TODAS AS COLUNAS”. Podem ser feitos comentários abaixo da matéria sobre ela e outros comentários. Ela está liberada para publicações. Ficarei grato pela citação nelas de meus livros: “A Face Oculta das Religiões”, Ed. EBM (SP), “O Espiritismo Segundo a Bíblia”, Editora e Distribuidora de Livros Espíritas Chico Xavier, Santa Luzia (MG), “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência” Ed. EBM (SP)  e “A Bíblia e o Espiritismo”, Ed. Espaço Literarium, Belo Horizonte (MG) –  www.literarium.com.br -  e meu e-mail: jreischaves@gmail.com Os livros de José Reis Chaves podem ser adquiridos também pelo e-mail:  contato@editorachicoxavier.com.br    e o telefone: 0800-283-7147.

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                                                           NOTAS LATINO-AMERICANAS!

  
1. (Clarín, 30)  A exploração de risco, o verdadeiro coração da indústria de petróleo e gás, reflete um notável retrocesso cujas consequências se fazem sentir. Durante a última década, a produção petroleira caiu 30% e a de gás 15%. O mais grave, porém, é a diminuição das reservas de petróleo (quase 20%) e as de gás (quase 50%), como resultado da falta de exploração. O impacto sobre a balança comercial externa é preocupante. A Argentina passou de ser um país exportador de gás e petróleo a ser importador. Em 2012, o déficit será de US$ 11 bilhões e crescerá 20% em 2013.
  
2. Bolívia:  YPFB informou ter encerrado 2012 com receita de US$ 4,277 bilhões, 40,5% superior à de 2011.  As exportações energéticas (US$ 5,517 bilhões) representaram a metade das vendas da Bolívia ao exterior.
   
3. Estimativas da inflação na América do Sul: Argentina (23%), Venezuela (16/20%), Uruguai (8,2%), Brasil (5%), Equador (4,3%), Bolívia (4%), Paraguai (3,2%), Peru (2,3%) e Chile (1,5%).  Por primeira vez nos últimos dez anos, a Venezuela perdeu a liderança na corrida inflacionária para a Argentina, onde a situação ficou ainda mais grave, pois, este ano, o PIB não deverá registrar crescimento.  No mundo só há três países em países em pior situação do que a Argentina: Sudão do Sul (74%), a Bielorrússia (65%) e o Sudão (45%).
  
4. (Enrique Vargas Peña - La Nacion/Paraguai, 30) A “Doutrina Brezhnev” estabelece que os países membros de uma associação de países não tem soberania plena, mas “soberania limitada”. É exatamente a doutrina que o Brasil e sua organização regional, Unasul, está impondo ao Paraguai. Desde 22/06/2012, Brasil e Unasul deixaram claro que, para eles, os paraguaios não podem aplicar o artigo 225 da própria constituição sem que Unasul o aprove.



Transcrito do Ex-Blog do César Maia de 02 de janeiro.