sábado, 10 de março de 2012




O CISCO E A TRAVE.


Percival Puggina


"Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão e não percebes a trave que há no teu próprio olho?" (Lc 6, 39-42)

Numa de suas parábolas, Jesus propõe a indagação acima para induzir os circunstantes a refletir sobre a própria conduta. A imagem contundente que usou pode ser aplicada, o tempo todo, às mais variadas situações porque, de fato, nossa atenção aos erros alheios é inversamente proporcional à que dedicamos aos erros que cometemos.


Mas não é sobre moral ou religião que escrevo. É sobre o que está acontecendo com a economia brasileira neste momento em que começam a pipocar, aqui e ali, pequenos registros sobre o processo de desindustrialização em curso no Brasil. Quando comecei a falar nisso, ainda em 2010, em programas de rádio e tevê, as pessoas me olhavam como se uma ave de mau agouro tivesse pousado no microfone. Só faltava me dizerem - Xô! Era um tempo de euforias eleitorais, quando fazia parte do jogo afirmar que estava tudo muito bem, ainda que não fosse assim. Era um tempo em que o devidamente aparelhado IPEA cuidava de servir à mídia um indicador positivo por dia. Hoje, é a própria indústria brasileira de bens de consumo que proclama: está difícil exportar porque nossos preços não são competitivos e resulta impossível vender no mercado interno pois grande número de produtos importados chega às prateleiras com preços inferiores aos custos locais de produção.


Cansei de advertir: a) que estávamos retornando ao perfil de país produtor de bens primários que tivemos na primeira metade do século passado; b) que voltávamos a ser meros exportadores de matérias-primas; c) que o Brasil não era valorizado lá fora como fornecedor, mas como mercado; d) que uma economia baseada na venda de commodities não paga bons salários para a massa trabalhadora e não gera desenvolvimento social sustentável; e) que, diferentemente dos Estados Unidos, nós não podíamos nos dar ao luxo da desindustrialização porque ainda obtínhamos notas de reprovação em desenvolvimento tecnológico. Pois mesmo diante desse quadro continuamos apontando cisco no olho dos outros. O culpado é o câmbio! Com esse dólar não tem jeito! O dólar e o euro estão sub-apreciados porque convém às exportações dos respectivos países! A culpa é dos ricos! A culpa é dos ianques! A culpa é dos outros! Eles não cuidam de seus desequilíbrios fiscais! Eles - oh, eles! - seguem a Lei de Gerson e querem vantagem em tudo...

E a trave no nosso olho? Como pode a sexta economia mundial responder por pouco mais de um por cento do comércio internacional? Pois é. Como pode? Anote aí, leitor: mesmo com esse dólar, tivéssemos feito o que nos corresponde, conseguiríamos ser competitivos além das commodities (que compõem um mercado faminto, eminentemente comprador). No entanto, as traves no nosso olho são irritantes e causam cegueira. Com educação de baixíssimo nível; recursos humanos operosos mas pouco produtivos; transportes usando o modal mais caro e em más condições, sem ferrovias nem hidrovias; energia caríssima apesar de dispormos de fontes hidroelétricas em abundância; carga tributária chegando a 37% do PIB e um sistema oneroso de pagamento e controle; a maior taxa de juros do mundo; e por aí vai - como ser competitivo? Tudo que descrevi neste parágrafo é responsabilidade nossa e muito pouco foi diligenciado. É a trave no nosso olho. Tivéssemos feito o dever de casa, conseguiríamos ser competitivos e faríamos rodar nossa indústria mesmo com o dólar no patamar atual. Mas preferimos apontar o cisco no olho da Europa e dos Estados Unidos.

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* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.


Recebido por e-mail.



A quem interessa uma crise militar?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Silvia Palacios

A tensão criada entre a cúpula do Governo Federal e o comando das Forças Armadas, em torno do rumo a ser tomado pela denominada Comissão da Verdade, não pode ser entendida apenas sob a visão estreita de que se tratariam dos desdobramentos de um passo necessário para que o País acerte as contas com a História.

Em realidade, essa insistente investida dos setores ideológicos radicais, encastelados no Partido dos Trabalhadores (PT) e agremiações políticas congêneres e em uma pletora de organizações não-governamentais (ONGs) com a mesma orientação, que chegaram ao Governo Federal na presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, integra uma campanha de décadas dos centros de poder anglo-americanos contra as instituições dos Estados nacionais ibero-americanos, em especial, as suas Forças Armadas. Agora, o objetivo imediato é provocar uma reorientação da política externa brasileira, de forma a realinhá-la com os EUA e abandonar o processo de uma diplomacia independente em relação à integração da América do Sul e ao Oriente Médio. É com esse pano de fundo que vem sendo exacerbado o tema dos direitos humanos, quase às vésperas da visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA.

O mais preocupante é que esse tipo de acomodação às pressões externas têm determinado uma série de decisões estratégicas no País, como se viu em diversas oportunidades, nos governos anteriores, tais como nos casos das delimitações de grandes reservas indígenas e da draconiana e restritiva política ambiental nacional.

Nesse empenho, se insere a militância ostensivamente assumida por representantes da mídia, como é o caso da jornalista Míriam Leitão, das Organizações Globo, notória representante dos interesses anglo-americanos no País.

É possível que nem a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, nem sua colega de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, se deem conta desse fato, quando proclamam as suas diatribes contra as Forças Armadas e insistem em vocalizar as demandas da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) contra a Lei da Anistia, a forma institucional encontrada pelos brasileiros, ao final da década de 1970, para se reconciliarem os interesses nacionais.

Diplomacia dos direitos humanos

Não obstante, o fato é que os temas dos direitos humanos, proteção ambiental, questões indigenistas e fundiárias e "igualdade racial", têm sido intensamente manipulados pelos centros de poder anglo-americanos, como parte de sua agenda "globalista" de enfraquecimento das instituições dos Estados nacionais soberanos, dentro do igualmente utópico conceito de um mundo "pós-westfaliano", no qual um papel crescente vem sendo atribuído a entidades como as ONGs, que, supostamente, representariam melhor as demandas das sociedades.

Na prática, muitas dessas ONGs funcionam como autênticos elementos de guerra irregular, influenciando a formulação de políticas públicas e ações governamentais de interesse dos seus patrocinadores, como governos e fundações privadas estrangeiros, de uma forma muito mais eficiente do que seria possível com ações militares clássicas - o que se enquadra no conceito de "guerra de quarta geração", no qual um Estado se opõe a elementos não-estatais (mesmo que estes estejam a serviço de outro Estado nacional).

Uma demonstração dessas pressões externas, que evidenciam o caráter intervencionista de uma diplomacia "oficiosa", é a ameaça ostensiva do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), de deflagrar uma campanha internacional contra o Brasil, caso o País não cumpra a decisão da CIDH sobre a Guerrilha do Araguaia. A conotação da ameaça fica evidenciada na declaração da diretora da ONG, Beatriz Affonso: "Este ano vão se cumprir dois aos sem avanços substanciais. Não faz sentido um país que quer entrar para o Conselho de Segurança da ONU se recusar a avançar na punição dos que, em nome do Estado, cometeram essas violações. Qual a idoneidade do Estado brasileiro para decidir sobre possíveis intervenções em outros países? (O Estado de S. Paulo, 26/02/2012)."

Em especial, o conceito de direitos humanos defendidos por tais grupos e seus promotores internacionais reflete uma concepção limitada e maniqueísta, que converte esses direitos em um autêntico fetiche abstrato, em grande medida, desvinculados de um conceito abrangente de Bem Comum e dos interesses maiores da sociedade. Um exemplo emblemático da orientação ideológica dos paladinos dos direitos humanos da Esplanada dos Ministérios foi a deplorável decisão de negar a extradição do terrorista italiano Cesare Battisti, condenado em seu país por quatro homicídios qualificados.

Desafortunadamente, a reação intempestiva da presidente da República, ao determinar ao ministro da Defesa Celso Amorim uma intervenção contra o manifesto dos clubes militares sobre as declarações das ministras, chegando a pedir uma punição para um dos seus organizadores, sugere que a chefe de Estado pode estar deixando as reminiscências do passado condicionarem a sua atitude frente a uma situação que exige, acima de tudo, uma visão plena dos interesses do Estado brasileiro, em um momento crucial de definições na transformação da ordem de poder global em curso - processo no qual as F.As. tendem a desempenhar um papel fundamental.

De fato, o Brasil é o único integrante do grupo BRICS cuja capacidade militar é muito inferior às suas dimensões e potencialidades econômicas, sendo atualmente incapaz de prover uma capacidade dissuasória mínima contra qualquer eventual agressão externa de monta. Ademais, é visível o exemplo negativo da vizinha Argentina, onde o revanchismo político implicou em uma brutal deterioração das condições operacionais das Forças Armadas, deixando o país em uma humilhante condição de impotência diante de episódios como as recentes provocações militares do Reino Unido, em torno da disputa pelas Ilhas Malvinas.

Em vista do quadro de nuvens carregadas e fortes turbulências que caracteriza o cenário global, em que um dos componentes críticos é uma retração do poderio militar e econômico estadunidense - com as reações negativas deste fato dentro das próprias fileiras do Establishment -, não surpreende que os parceiros brasileiros no BRICS, especialmente, a Rússia e a China, estejam se preparando para todas as contingências. Por tais motivos, o Brasil precisa, igualmente, estabelecer os seus planos estratégicos, para o que necessita do entendimento e do empenho de todos os setores da sociedade - e, portanto, não pode dar-se ao luxo de ensejar dissidências internas causadas por um grupelho de indivíduos que se comportam como viúvas da Guerra Fria.

Assim sendo, é fundamental que as cabeças frias prevaleçam, para evitar o aprofundamento de um quadro de tensões internas, que beneficia apenas os interessados em obstaculizar a maturidade e a ascensão do País no plano mundial.

Antecedentes

O tema dos direitos humanos vem sendo instrumentalizado contra o Brasil desde meados da década de 1970, com o advento do governo de Jimmy Carter, que o utilizou como parte de uma estratégia para tentar anular o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, o qual via como séria ameaça à sua agenda de não-proliferação nuclear. Em sua visita ao País, em março de 1978, Carter provocou grande irritação no governo do presidente Ernesto Geisel, ao dar uma carona em seu carro ao então cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, de quem recebeu denúncias sobre violações de direitos humanos pelo regime militar.

Posteriormente, juntamente com o pastor Jaime Wright, alto dignitário da Igreja Presbiteriana no Brasil (que proporcionou o suporte financeiro), e o rabino estadunidense Henry Sobel, do Centro Israelita Paulista, ambos com importantes vínculos políticos nos EUA, Arns seria o coordenador do projeto que resultou na publicação do livro Brasil: nunca mais, em 1985. No livro, são listados os nomes de centenas de integrantes das forças militares e policiais que participaram da repressão às insurgências armadas no País - muitos deles, potenciais alvos de futuros processos, se dependesse dos militantes dos direitos humanos encastelados nos porões do Planalto.

Por detrás do projeto, estava o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), órgão que, sob a fachada da integração religiosa, oculta as altas funções que executa como integrante das redes mais intervencionistas do aparato de inteligência anglo-americano. Criado em 1937, o CMI teve entre os seus fundadores o britânico lorde Lothian, um dos líderes da facção pró-Hitler na Grã-Bretanha, e o estadunidense John Foster Dulles, representante da Igreja Presbiteriana e futuro secretário de Estado no governo de Dwight Eisenhower, no qual seu irmão Allen foi o diretor-geral da Agência Central de Inteligência (CIA).

O CMI também esteve bastante ativo na campanha de desarmamento civil, na qual os seus estrategistas ainda não digeriram a acachapante derrota sofrida no referendo brasileiro, em agosto de 2005.

A entidade apoia, igualmente, as redes ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e seus apêndices, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), todos empenhados em campanhas ambientalistas contra grandes projetos de infraestrutura, que têm custado caro ao País.

Na década de 1990, tais redes receberam o reforço de duas ativas integrantes do "exército irregular" de ONGs mobilizadas, em particular, contra as instituições militares da América do Sul, a Human Rigths Watch/Americas e o CEJIL. A vinculação de ambas aos centros de poder anglo-americanos é facilmente constatada com uma consulta aos seus patrocinadores. O sítio do CEJIL, por exemplo, lista entre eles: a Federação Internacional de Planificação da Família (IPPF, na sigla em inglês), organização criada pela família Rockefeller para promover o controle demográfico; a Fundação Nacional para a Democracia (NED), órgão oficial do governo estadunidense; as fundações MacArthur e Ford; e a Fundação para a Promoção de uma Sociedade Aberta (FOSI), do megaespeculador George Soros.

O fundador e presidente do CEJIL, o advogado chileno José Miguel Vivanco, é um veterano integrante do aparato supranacional dos direitos humanos, tendo afiado as garras em anos de militância na Human Rights Watch/Americas.

Em agosto de 1995, as duas entidades apresentaram à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), uma petição, denunciando o Estado brasileiro pelo desaparecimento de combatentes da Guerrilha do Araguaia, na campanha militar de 1972-1974. Em dezembro de 2010, a CIDH divulgou a sua sentença, condenando o País e "ordenando" ao Estado uma série de providências que, cumpridas à risca, implicariam na total subordinação do sistema judiciário nacional a uma estrutura jurídica supranacional orientada por conceitos ideológicos totalmente alheios ao ordenamento histórico de nações soberanas.

Sem surpresa, a decisão da CIDH foi aplaudida pelos representantes dessa corrente de ação encastelados no Governo Federal, como o então secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e o presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abrão, atual secretário nacional de Justiça, ambos defendendo a absurda tese de que a legislação supranacional se sobrepunha à decisão anterior do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a irrevogabilidade da Lei da Anistia.

Embora, na ocasião, o Governo Federal tenha reagido à decisão, por intermédio de firmes declarações do então ministro da Defesa, Nelson Jobim, e, posteriormente, rechaçado de forma ainda mais contundente a sentença da CIDH contra o projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, o atual imbróglio se encaixa à perfeição na agenda intervencionista supranacional que o órgão integra.

Silvia Palácios é Jornalista.

Artigo transcrito do Blog Alerta Total de 10 de março.

Comento;
Excelente artigo que faz uma radiografia precisa e concisa dos interesses internacionais que estorvam o pleno desenvolvimento brasileiro. São agentes internos e externos, que, consciente ou inconscientemente, estão impedindo que o Brasil alcance um posicionamento internacional coerente com sua vocação geopolítica.
Ao leitor deste pequeno e despretensioso blog eu peço que leia o artigo com muita atenção, analise, compare com os acontecimentos, não acredite nas interpretações da grande mídia, faça suas próprias avaliações e questione-se: por que um país com tantas vantagens comparativas oscila tanto no caminho do pleno desenvolvimento?
Não conheço a jornalista Silvia Palácios, mas transmito os meus cumprimentos pelo artigo, pela quantidade de informações colocadas no texto, a forma inteligente como o construiu, demonstrando conhecimento, competência profissional e, sem dúvida, muita coragem. O Brasil agradece o seu comprometimento com a verdade. Deus a proteja.
Ao jornalista Jorge Serrão nossos agradecimentos por postar no seu excelente Blog "Alerta Total" o presente artigo e permitir, como sempre, sua divulgação.





quarta-feira, 7 de março de 2012


ESTA CONTA TAMBÉM É SUA


Percival Puggina


Você lembra de já ter assistido a algum filme estrangeiro cuja projeção fosse antecedida pela apresentação de uma lista de patrocinadores? Eu não. O que se vê são os nomes de uma ou mais empresas produtoras que uniram esforços e recursos para fazê-lo. Filmes são concebidos como investimentos de cuja comercialização é esperado um ganho financeiro. Quando dá certo os produtores ganham dinheiro. Quando dá errado, têm prejuízo. Se os espectadores gostam, patrocinam o lucro na proporção dos ingressos que adquirem. Quando não gostam, o prejuízo fica com quem avaliou mal o negócio ou não o conduziu bem.


No Brasil não é assim. Aqui, qualquer coisa com som é música, qualquer texto é literatura, qualquer lixo filmado é cultura e tudo cabe sob o guarda-chuva das leis que incentivam atividades culturais. Se por escrever isto eu for acusado de discricionário e preconceituoso, que o seja. O padrão cultural do povo brasileiro rampa abaixo e nós gastando dinheiro escasso para financiar coisas como "Lula, o filho do Brasil"? Cultura? Fala sério!


Pois bem, essas leis permitem a captação de recursos junto a contribuintes que se disponham a orientar para tais atividades uma fração dos tributos que deveriam recolher. A produção cinematográfica - embora voltada dominantemente para o lazer - está abrangida por essa possibilidade. A maior parte dos filmes vira, então, um negócio sem risco, assumidos os custos, no todo ou em parte, pela sociedade pagadora de impostos. É o melhor dos mundos. Os mais reverenciados patrocinadores de eventos culturais são as poderosas empresas estatais cujas marcas frequentam as salas de projeção posando de mecenas com o dinheiro do povo. E não requer muito esforço intuir sobre a natureza dos alinhamentos e comprometimentos que presidem as concessões de tais incentivos. Andando por esses critérios e caminhos, o dinheiro do contribuinte é deslocado para aplicações que ele jamais autorizaria. Seus critérios convergiriam para prioridades situadas vários degraus acima da indústria do lazer.

Mas a coisa vai além. Nos anos 90, surgiram no cenário nacional as agências reguladoras. São pessoas jurídicas de direito público, geralmente em forma de autarquias, concebidas para regular a atividade de setores estratégicos da economia que, ou são totalmente atribuídos à iniciativa privada, ou dela têm forte participação. No dia de sua criação, dormem assim, sobre o travesseiro das melhores intenções. Mas já na manhã seguinte acordam como objeto de disputas partidárias, transformadas em moeda de troca no balcão dos apoios políticos. Algumas dessas agências reúnem representações do poder público, das empresas envolvidas na atividade regulada e dos consumidores. Mas não me ocorre uma só onde os interesses deste último, pagador de todas as contas, tenha a devida relevância.


A Agência Nacional do Cinema (Ancine) é uma agência reguladora. Desde 2001, convergem para ela a regulamentação e o controle das proteções que regem a produção e exibição de filmes nacionais no Brasil. Entre as providências adotadas pela Ancine - com amparo legal, diga-se de passagem - está a exigência de um determinado percentual de projeções destinado a filmes brasileiros nos cinemas e na televisão, inclusive nas tevês a cabo. Ou seja, já não basta usar recursos do contribuinte para financiar o que dá lucro e indenizar o que dá prejuízo. Em nome da proteção à "cultura" nacional, regulamenta-se a atividade de um modo que obriga o exibidor a abdicar de uma parte de seu empreendimento. É imposta a ele a tarefa de tentar vender o que poucos querem comprar, porque se houvesse público interessado, maior ainda seria o interesse do exibidor em comercializar o produto. E dá-lhe pornochanchada na tevê a cabo.


Não sou dos que creem que o mercado resolve tudo. Mas isso que pretendem para os filmes brasileiros é o mesmo que obrigar todas as lojas de roupas no Rio Grande do Sul, por exemplo, a reservar um espaço das vitrinas e prateleiras para exibir bombachas, guaiacas e apetrechos do gênero.


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* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.


Recebido por e-mail.






DILMA E MANTEGA CULPAM LULA PELOS 2,7% DO PIB DE 2011! ADOTAM O SUB-NEO-COLONIALISMO!


1. Dilma e Mantega tocaram o mesmo realejo. A economia brasileira cresceu somente diminutos 2,7% em 2011 por culpa da crise econômica mundial. Mantega também lembrou da inflação. A crise aflorou em 2008. Lula disse que era só uma marolinha. Pelo que diz a Dilma, é muito mais do que isso. Pelo que diz Mantega, a inflação é uma herança maldita. E esse mesmo 'tsunami' de liquidez que ela reclama foi o que empurrou a economia brasileira. Antes eram os derivativos. Os juros brasileiros só fazem atrair esse 'tsunami'. E se há mesmo essa nuvem de liquidez, Dilma não deveria reclamar, pois de outra forma a recessão europeia seria muito maior com os reflexos recitados.

2. Realmente. Lula respondeu à crise com um keynesianismo juvenil. Um dólar baixo e um juro alto lubrificaram de dólares as reservas brasileiras em divisas e ajudaram a conter, por um tempo, a inflação. Mas o tempo passa e o Disney-dólar fez a festa dos turistas brasileiros e abriu um rombo nas contas correntes do balanço de pagamentos. E a combinação do Disney-dólar e do consumismo arrasou a competitividade da indústria brasileira que, em 5 anos, passou de um superavit de 18 bilhões de dólares para um déficit de 50 bilhões de dólares. E com um pé eleitoral no acelerador keynesiano, a economia -dopada- cresceu 7,5% em 2010.

3. E agora vem a conta, na forma de inflação, estrangulamento crescente nas contas correntes e a indústria brasileira de joelhos. Mas Dilma não pode reclamar, pois ela é esse próprio processo e meta eleitoral. E está numa cama de gato: se baixar os juros para um nível pelo menos chileno, pode ser que a saída de capitais fluídos seja antecipada e acelerada. A política econômica do binômio Lula-Dilma é sub-neo-colonial. Ou seja: exportar matérias primas e importar produtos industrializados.

4. Vergonhosamente, o que cabe, agora, a Dilma é romper o acordo automotivo com o México, pedir ao vice-presidente da China que reduza as exportações e programar uma conversa com Obama para que este ajude a corrigir nossa balança comercial com os EUA, que passou a ser deficitária. Colonialmente, de joelhos.

5. Sugestão deste Ex-Blog. A projeção para o Brasil é muito pior para 2013, com o refluxo de dólares. É bom esquecerem a eleição de 2012 e adotar as medidas que a economia brasileira precisa em relação aos juros, em relação ao câmbio, ao custo Brasil de infraestrutura, etc. e tal.

Transcrito do Ex-Blog do César Maia de 7 de março.



sábado, 3 de março de 2012


CHEGA DE REVANCHISMO


Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

Uma pena que estejamos ainda com uma agenda inútil, marcada por ressentimentos. Quando, na verdade, se deveria estar unindo o país na luta pela consolidação da estabilidade na economia, com investimentos urgentes na infraestrutura, na educação e na saúde. Sem falar na segurança pública.

Claro que esses temas na pauta dos ressentidos estão todos relacionados ao revanchismo, a tentativa de se reescrever a história recente do Brasil. Mas temos uma anistia com 35 anos, ampla, geral e irrestrita, como pedida. Depois, é claro que os anistiados eram, na sua maioria, pessoas ligadas ao comunismo internacional, com passagem por Cuba e pelo Chile de Allende. Não queriam trocar o autoritarismo
militar
?com apoio popular? pelo liberalismo. Queriam mesmo uma ditadura comunista. Não vamos cobrar estes equívocos, mas também não podemos aceitar o discurso de ?coitadinhos?, milhares já pagos em dinheiro pelas suas opções do passado, que está ficando até chato. A anistia perdoou até quem matou e confessou em livros e entrevistas.

Houve vítimas nos dois lados. Ponto final.

Todos os presidentes desde Sarney só podem elogiar a postura correta e discreta dos nossos militares. Muitos são até incompreendidos pelos companheiros devido a tolerância com as investidas desse verdadeiro? sindicato da mentira e do ódio? a martelar infâmias contra a corporação.
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Texto completo em:

http://www.aristotelesdrummond.com.br/chega_de_revanchismo.asp



sexta-feira, 2 de março de 2012

VEJA NO QUE DEU A PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA NO RIO -CAPITAL E ESTADO!


1. Ministério da Saúde - Índice de Desempenho do SUS (IDSUS 2012) avalia 24 indicadores e ajuda governo federal, estados e municípios a qualificarem atendimento de saúde. Média do BRASIL: 5,47!

2. ESTADOS! "IDSUS-2012": S. Catarina 6,29 \ Paraná 6,23 \ Rio Grande do Sul 5,90 \ Minas Gerais 5,87 \ Espírito Santo 5,79 \ Tocantins 5,78 \ S. Paulo 5,77 \ Mato Grosso do Sul 5,64 \ Roraima 5,62 \ Acre 5,44 \ Alagoas 5,43 \ Rio Grande do Norte 5,42 \ Bahia 5,39 \ Sergipe 5,36 \ Piauí 5,34 \ Pernambuco 5,29 \ Goiás 5,26 \ Maranhão 5,20 \ Ceará 5,14 \ DF 5,09 \ Mato Grosso 5,08 \ Amapá 5,05 \ Amazonas 5,03 \ Paraíba 5,00 \ Estado do Rio de Janeiro 4,58 \ Rondônia 4,49 \ Pará 4,10.

3. CAPITAIS. "IDSUS-2012": Vitória 7,08 \ Curitiba 6,96 \ Florianópolis 6,67 \ Porto Alegre 6,51 \ Goiânia 6,48 \ Belo Horizonte 6,40 \ Palmas 6,31 \ São Paulo 6,21 \ Campo Grande 6,00 \ São Luís 5,94 \ Recife 5,91 \ Natal 5,90 \ Salvador 5,87 \ Boa Vista 5,76 \ Teresina 5,62 \ Manaus 5,58 \ Rio Branco 5,56 \ Cuiabá e Aracajú 5,55 \ Porto Velho 5,51 \ João Pessoa 5,33 \ Fortaleza 5,18 \ Macapá 5,10 \ Brasília 5,09 \ Maceió 5,04 \ Belém 4,57 \ RIO 4,33 \

4. Diferentes níveis de atenção (básica, especializada ambulatorial e hospitalar e de urgência e emergência), verificando como está a infraestrutura de saúde para atender as pessoas e se os serviços ofertados têm capacidade de dar as melhores respostas aos problemas de saúde da população.

5. Detalhe dos itens levantados.

Transcrito do Ex-Blog do César Maia de 2 de março.